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Matéria sobre a escalada nos Jogos de Tóquio, em 2020. Camila Macedo concedeu entrevista para o jornal Gazeta do Povo em 9 de setembro de 2016. 

Daniel Zanella, especial para Gazeta do Povo

Entre as cinco novas modalidades olímpicas anunciadas para os Jogos de Tóquio, em 2020, a escalada foi a que chamou mais atenção. O esporte é pouco conhecido do público em geral, mas os praticantes esperam uma verdadeira transformação nos próximos anos. Chegou a hora de deixar o status de “amador” para trás.

“Agora muda tudo. A escalada passa a ter mais visibilidade, mais investimentos, e a se profissionalizar de fato”, acredita Camila Macedo, bicampeã brasileira na prova de boulder, que utiliza blocos de pedra.

A paulista de 34 anos mora desde os 14 em Curitiba. Neste domingo (11), ela viaja para a França, onde disputará o Mundial de sua categoria. Se alcançar a semifinal, o resultado será considerado histórico.

“Há um abismo entre nós e as demais potências mundiais. Estamos crescendo, mas ainda falta muito, até em relação à excelência de treinos. Nós também, por exemplo, sequer temos antidoping ainda”, conta Camila. “Mas agora que estamos na Olimpíada, o futuro será outro”, confia.

Além da escalada, surfe, skate, caratê e beisebol/softbol serão modalidades que vão estrear na próxima Olimpíada. Entre os países com mais tradição na escalada estão Estados Unidos, França, Alemanha, Eslovênia e República Tcheca.

“O Brasil ainda está engatinhando no esporte, principalmente no que se refere ao capital envolvido. Ainda temos poucos patrocinadores, mas acredito que, com a maior exposição, mais empresários vão se interessar e o próprio governo federal vai se preocupar em criar equipes fixas”, projeta William Feitosa Vieira, instrutor e um dos proprietários do Campo Base, um dos principais ginásios de escalada indoor do Brasil, cravado no Centro de Curitiba.

Estima-se que 25 mil pessoas pratiquem a modalidade no país. O número só tende a aumentar, entre profissionais e amadores.

“O nosso esporte é muito democrático. Uma criança pode participar e também um senhor de 70 anos. O que importa é a vontade de superar os próprios medos e limites”, exalta Feitosa.

A prática exige uma série de itens de segurança e, para amadores, o acompanhamento constante de instrutores. Os equipamentos (corda, costura, sapatilha, cadeirinha e colchão) saem, em média, por R$ 1500 e duram de cinco a dez anos. A mensalidade sai por volta de R$ 150.

Para a editora de fotografia Marcella Kopp, que pratica escalada esportiva de forma amadora três vezes por semana, a sensação de liberdade vale a briga contra os medos. “É incrível como a gente esquece tudo quando está escalando e só se concentra nos obstáculos, na subida. Melhora muito a qualidade de vida, tranquiliza”, destaca.

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